Dualidade

downloadSegundo Aurélio, é o caráter ou propriedade do que é duplo ou do que contém em si duas naturezas, duas substâncias, dois princípios, ou seja, o poder de discernimento entre o bem e o mal, o certo e o errado, o claro e o escuro, etc.

Para chegarmos a determinadas conclusões, temos de vivenciar os dois lados da moeda, como exemplo, onde viajaremos nas férias de julho, para o frio das serras gaúchas, ou o calor das praias nordestinas?

Somente com a experiência vivenciada é que podemos concluir se foi bom, ou ruim, e cada um sente de maneira diferente.

Portanto não existem erros e acertos, apenas opções de caminhos diversos que temos a nossa disposição, onde muitas vezes o “errado” não daria tão certo, se o planejado tivesse saido conforme o que seria considerado o “certo”.

Diz a lenda que não havia naquele povoado pior ofício do que ‘porteiro do prostíbulo’.

Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem, que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, não tinha nenhuma outra atividade ou ofício?

Um dia, entrou como gerente do prostíbulo um jovem cheio de idéias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento.

Fez mudanças e chamou os funcionários para as novas instruções.

Ao porteiro disse:

– A partir de hoje, o Senhor, além de ficar na portaria, vai preparar um relatório semanal onde registrará a quantidade de pessoas que entram e seus comentários e reclamações sobre os serviços.

– Eu adoraria fazer isso, Senhor – balbuciou – mas eu não sei ler nem escrever!

– Ah! Quanto eu sinto! Mas se é assim, já não poderá seguir trabalhando aqui.

– Mas Senhor, não pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, não sei fazer outra coisa.

– Olhe, eu compreendo, não posso fazer nada pelo Senhor, mas vamos dar-lhe uma boa indenização e espero que encontre algo que fazer, e que tenha boa sorte!

O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse, e agora?

Lembrou que no prostíbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho.

Pensou que esta poderia ser uma boa ocupação até conseguir um emprego… mas só contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado.

Usaria o dinheiro da indenização para comprar uma caixa de ferramentas completa.

Como o povoado não tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais próximo para realizar a compra.

E assim o fez, e no seu regresso, um vizinho bateu à sua porta:

– Venho perguntar se você tem um martelo para me emprestar.

– Sim, acabo de comprá-lo, mas eu preciso dele para trabalhar… já que…

– Bom, mas eu o devolverei amanhã bem cedo.

– Se é assim, está bom.

Na manhã seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu à porta e disse:

– Olha, eu ainda preciso do martelo, porque você não o vende para mim?

– Não, eu preciso dele para trabalhar e além do mais, a casa de ferragens mais próxima está a dois dias mula de viagem.

– Façamos um trato – disse o vizinho. Eu pagarei os dias de ida e volta mais o preço do martelo, já que você está sem trabalho no momento, que lhe parece?

Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias…aceitou.

Voltou a montar na sua mula e viajou.

No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.

– Olá vizinho, você vendeu um martelo a nosso amigo e eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que você as compre para mim, pois não disponho de tempo para viajar para fazer compras, que lhe parece?

O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira, pagou e foi embora, e nosso amigo guardou as palavras que escutara: ‘não disponho de tempo para viajar para fazer compras’.

Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas.

Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido.

De fato, poderia economizar algum tempo em viagens.

A notícia começou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viagem, faziam encomendas.

Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes, e com o tempo, alugou um galpão para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balcão e transformou o galpão na primeira loja de ferragens do povoado.

Todos estavam contentes e compravam dele.

Já não viajava, os fabricantes lhe enviavam seus pedidos, pois ele era um bom cliente, e com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, do que gastar dias em viagens.

Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabeças dos martelos, e logo, por que não, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc…e após, foram os pregos e os parafusos.

Em poucos anos, nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um rico e próspero fabricante de ferramentas…

Um dia decidiu doar uma escola ao povoado, e nela, além de ler e escrever, as crianças aprenderiam algum ofício.

No dia da inauguração da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abraçou e lhe disse:

-É com grande orgulho e gratidão que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira página do Livro de atas desta nova escola.

– A honra seria minha -disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o Livro, mas eu não sei ler nem escrever, sou analfabeto!

-O Senhor?!?! – disse o prefeito sem acreditar. O Senhor construiu um império industrial sem saber ler nem escrever, estou abismado, mas lhe pergunto:

– O que teria sido do Senhor se soubesse ler e escrever?

– Isso eu posso responder – disse o homem com calma. Se eu soubesse ler e escrever… ainda seria o PORTEIRO DO PROSTÍBULO!!!

 

 

 

Sobre Marcio Higa

Pós-graduado em Telecomunicações, Bacharel em Ciência da Computação e Técnico em Mecânica. Está terapeuta há 15 anos, com formação em Reflexologia(Podal e Auricular) pelo IOR, Crochetagem(Técnica de Fisioterapia Manual) e Manobras Articulares(Quiropraxia e Osteopatia) pela ABCroch, e Psicoterapia Reencarnacionista, na qual é Ministrante, Palestrante e Coordenador Nacional dos Grupos de IINP(Investigação do Inconsciente Não Pessoal) da ABPR, e do Núcleo ABPR São Paulo-SP. É fundador e proprietário do Instituto Sofia Higa, em São Paulo-SP, na Vila Prudente.
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